Sacerdotisa

Adimela Carama

Composición de: Adimela Carama
Ela chegou como raio em dia sem nuvem
E quando olhei já era tarde pra fugir
Entre rezas e cicatrizes
Ela me fez altar de um templo além do tempo

Sacerdotisa
Demônia que me amava
Meio pagã, meio indígena
Rainha das porções mágicas

Feiticeira de fé perigosa
Queimando incenso e destino
Entre chacrona e mariri
Sagrado feminino

Ela veio de lugar nenhum
De um tempo que nunca existiu
Traz nos olhos o veneno e o brilho
Um feitiço que nunca se viu

Versos de amor jogados ao mar
Pétalas de rosas vermelhas
Lençol de seda dourada
Entre hesitações e escolhas
O que restou de tudo, o que restou de mim
Reza o nome dela em silêncio

Sacerdotisa
Demônia que me amava
Meio pagã, meio indígena
Rainha das porções mágicas

Ela beija e me desarma
E de sua teia faz a trama
Faz do amor campo de guerra
E das paixõesa sua cama

Ela não pede, ela domina
Canto da sereia, hipnotiza
Dedo na Glock, olhar felino
É fera, é dor, é ira!

Txai, mais que amiga, mais que irmã
A metade dela que habita em mim
A metade de mim que habita nela
Eva, Adão, a serpente e a maçã, amor profano

Sacerdotisa
Demônia que me amava
Meio pagã, meio indígena
Rainha das porções mágicas

Onça bela de olhos verdes
Eco das selvas e das ruas
Carrega nas veias mil deuses
Carrega o inferno nas luas

Sem pai, sem mãe
Sem perdão, ela é só
Ela dança na beira do abismo
E me leva pra ele, sem dó

Mulher que não se brinca
Ela veio de lugar nenhum
De um tempo que nunca existiu
Passado, futuro e eternidade

Má, madame Satã
Má, madame Satã
Má, madame Satã

Ela diz que vendeu sua alma
Ela diz que vendeu sua alma
Ela diz que vendeu sua alma
Não lhe disse, eu quem comprei

Agora, entre hesitações e escolhas
O que restou de tudo, o que restou de mim
Reza o nome dela em silêncio
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