Fui criança com pressa de crescer Eu não sabia como me defender Tive que ser forte mesmo sem saber Porque sempre era pior ao anoitecer Crescida, o maior sonho foi realizado Fui colo, fui ponte, mas, na verdade, eu era como um vaso quebrado Mesmo quebrada, seguia em frente com passos lentos Precisava ser adulta, mas ainda era criança aqui dentro Agora eu tô voltando pra mim devagar Desfazendo os nós, colando os cacos, aprendendo a me amar Me olhando com os olhos que nunca me viram Descobrindo os pedaços que estavam perdidos Tô voltando pra mim devagar, sem fugir Colando os pedaços que um dia esqueci E, no espelho, eu me vi pela primeira vez Sou oceano, sou força, sou paz outra vez Já chorei em silêncio por não caber No corpo, na vida, no que queria ser Tanta entrega, me doei demais Às vezes me pergunto, e eu fiquei pra trás Ainda tenho uma chama que não se apagou E uma fé pequena que nunca faltou Talvez eu não saiba pra onde vou Mas agora sei quem eu sou E de mim nunca mais vou abrir mão Tô voltando pra mim, sem pressa, sem medo Com algumas cicatrizes que pra sempre serão segredos Tô limpando o espelho, abrindo a janela Tem Sol lá fora e paz que me espera Tô voltando pra mim, devagar, sem fugir Colando os pedaços que um dia esqueci E, no espelho, eu me vi pela primeira vez Sou oceano, sou força, sou paz outra vez Não sou mais criança e não sou forte o tempo todo Sou mulher descobrindo aos poucos um jeito novo De ser inteira sem me esquecer De me cuidar enquanto aprendo a viver Estou voltando pra mim cada dia um pouco Refazendo meu mundo tijolo por tijolo E, quem me olhar, vai ver sem engano Essa mulher-menina é um oceano Um oceano de infinitas possibilidades Que sofreu e chorou, mas agora está segura E tem paz de verdade Que sofreu e chorou, mas agora está segura E tem paz de verdade