Preso dentro desta casa, as horas não passam Dependo de mãos que nunca me abraçam Quando peço algo, rostos se fecham Como se minha dor atrapalhasse a festa Espero o momento, espero o tom Minha necessidade pesa, parece não ser dom Enquanto brindam a noite, rindo alto Fico em silêncio Ou sou chato demais Roupa rasgada, corpo dolorido Contam meu custo Não a vida que vivi Não como o que quero Visto o piór Mas mesmo assim meu sorriso é maior que a dor Gastam tudo com o que os faz sentir vivos Mas não têm coragem de cuidar de mim Não peço luxo Não peço piedade Só o mínimo Só dignidade Curioso como quem nunca me viu Foi quem estendeu a mão quando caí no frío Estranhos ajudam sem perguntar por quê Enquanto em casa aprendo a me esconder Quando tudo aperta e não dá pra fingir Peço ajuda online só pra existir Pra passar o día, pra continuar Doações salvam dias que mal consigo aguentar Lá fora contam outra versão Cobrem o silêncio com devoção falsa Não como o que quero Visto o pior Mas meu coração Ainda não virou pó Não vejo a rua, não sinto o ar Quando saio daqui, é sirene a tocar Bombeiros me erguem sem julgar Uma ambulância é como consigo andar Nunca prometeram, mas não viram meu rosto Me seguram firme quando quase me solto Se sobrevivi Não foi sorte ou favor Foi resistir día após día Com o que restou do amor Mesmo quando a verdade Não vence Eu continuo Porque desistir Não faz parte de mim Talvez não vejam Talvez não entendam Mas sigo vivo Mesmo quando não lembram Sem motivo algum Ainda encontro um sorriso Porque levantar de novo Já é ato de desafio Se ouvir isso Me ajuda a ficar de pé de novo Yeshua