Eu encosto minhas mãos na casca rugosa dessa árvore anciã Sentindo o sangue da terra que desperta com a manhã A cidade lá fora grita em metal e luzes de neon sem fim Mas aqui o silêncio da floresta fala dentro de mim Cada folha que balança é uma prece escrita no ar Cada raiz que se aprofunda ensina como se segurar Nós não somos os donos, somos apenas o que ela quer ser Uma parte da corrente que precisa de luz pra viver O asfalto tenta esconder o que o chão quer gritar Mas a vida sempre encontra uma fenda pra atravessar Eu ouço o rio contando histórias que o homem esqueceu Lembrando que o milagre da água também é o meu e o seu No balanço dos galhos eu sinto o ritmo da criação Longe das máquinas, longe de toda essa distração O verde é o útero onde a nossa alma pode descansar E aprender que o tempo certo é o tempo de brotar O pulsar verde, está me chamando pra casa Nas raízes da terra, minha alma abre a asa O mundo é muito mais, do que se pode comprar Deixe a terra, em você respirar Sinta a seiva, sinta o vento O espírito da mata não conhece o tempo Tudo está vivo, tudo é sagrado