Despi o inverno de um século inteiro Pra ver o azul nascendo no canteiro Netuno é vidro que o tempo lapida Um segundo bastando pra vida O Sol é centelha que não se apaga Guardando o nosso amor de viagem larga Lá fora o vento traz caos e açoite Aqui o crepúsculo inventa o que é noite Quarenta anos num só dia inteiro A eternidade vira nosso critério Quarenta anos sob esse Sol azulado O tempo esqueceu de correr do teu lado Um verão que não cansa, não finda No balanço de Netuno, a esperança ainda Esquece o relógio cansado da Terra Aqui o silêncio desata a guerra Mergulho no fundo do teu olhar calmo Onde o destino aprende a ser manso Se a luz demora pra fazer a curva Nossos olhos nunca se perturbam Sem pressa de ser, sem medo de partir Temos quarenta anos só pra florir Teu corpo é mar, meu peito é nau à deriva E o azul nos carrega pra onde a alma viva Quarenta anos Um Sol que não se põe O azul que sempre nos socorre E nos põe de novo em nós