Mesa posta, o café já esfriou A marca roxa que o tempo não levou A chave gira, o corpo estremece Teu bom dia corta como ameaça Era um palácio, hoje é cativeiro O medo encara o espelho do banheiro Tua palavra é muro de concreto Falta ar dentro do meu próprio teto A mão que afaga é a mão que aperta A mente acorda, a alma alerta O grito preso quer explodir A porta fecha pra eu não fugir Isso não é amor, é posse Isso não é paixão, é corte A mão que feriu ontem É a mesma que traz a morte Não me apaga, não me cala Minha vida não é sua escala Não me apaga, não me cala Nenhuma a menos, a voz não para O mundo olha e escolhe não ver O luto guardado antes do amanhecer O ciclo gira, a promessa retorna E a lei falha quando se omite e ignora Virei manchete, virei estatística Um nome frio num feed anestesiado Minha ausência grita mais que o fim Ninguém merece morrer assim Meu silêncio era o teu troféu Mas minha história não acaba aqui Arranquei o peso, rasguei o véu Eu renasci quando eu decidi Eu não sou sua Isso não é amor, é posse Isso não é paixão, é corte A mão que feriu ontem Não decide a minha sorte Não me apaga, não me cala Minha vida não é sua escala Não me apaga, não me cala Nenhuma a menos, agora eu não paro A voz não para Nenhuma a menos