A minha Maria em dia de festa é tentação Mas quando chega a noite, que desilusão Tira o vestido, o salto, o batom carmim E veste um pijama que não gosta de mim É flanela grossa, com boneco e botão Fecha até ao pescoço, não entra paixão Calça meias de lã que lhe deu a tia Parece um chouriço embrulhado em poesia Eu chego-me a ela com jeitinho e calor Mas bato na flanela, e perco o ardor Ó Maria, teu pijama trava tudo, ai sim Ó Maria, assim não chegas a mim É flanela, é botão, até ao queixo fechado Com esse pijama, Maria, fico estacionado Ó Maria Trava tudo Ó Maria Trava tudo Eu levo-lhe rosas e vinho do bom Ela traz-me o pijama, e fecha o portão Eu digo: Ó Maria, isso mata a paixão Ela diz: Ó homem, aquece o coração No verão dá calor, no inverno dá frio Mas aquele pijama é pior que desafio Nem renda, nem fita, nem coisa a brilhar É só flanela brava a mandar-me encostar Eu falo de amor, ela fala de lã Quando vejo o pijama, já sei que não dá Ó Maria, teu pijama trava tudo, ai sim Ó Maria, assim não chegas a mim É flanela, é botão, até ao queixo fechado Com esse pijama, Maria, fico encostado Ó Maria Trava tudo Ó Maria Trava tudo