Correr não adianta se o que me persegue passa Entre as barreiras do meu andar sozinho E se as minhas inseguranças fossem causas do meu trauma Eu ficaria quieto e aceitava o frio Por favor, pare de desejar meu corpo Eu amava ser criança eu sinto Tanta falta da minha ingenuidade E da minha inocência Que há tempos não andam comigo Shh Silêncio Caia mudo Sem lembrar que amanhã Conviverá com tudo Fique com a mente sã Mas não olhe nem diga Finja que não ouviu Não sentiu, nem pensou Sofra calado, sozinho Culpado os erros que não cometeu, mas passou Pra eu ouvir que Não foi nada e o Erro é meu por me deixar Não perdoar, mas Do meu lado eu Nunca mais pude levar A vida fácil Como era e eu Nem sabia mais lidar Pois sem ninguém pra Proteger, é Tão mais fácil Despencar Meu silêncio é uma ciência exata Que tem nome e data O tipo de memória que tem senha e trava Veja as cataratas se esses nós desatam Se esse céu desaba se a maré deságua Nesses velhos cortes, velhas mágoas Onde tava essa coragem quando eu precisava? Gritos, preces, vozes, consequências graves Que eu enterre as chaves desses cadeados Não suba as escadas Só fique aqui embaixo Não ouse passear pelos quartos dessa casa Eu tô vivendo fases multifacetadas Torcendo pro silêncio não ser questionado Eu caio espatifado Próprio espaço Esse é meu portifólio de medos e traumas Eu sou fracionado Dilacerado Mas eu renasço nas minhas próprias lágrimas Ouço ratos nas paredes Sussurrando meus segredos Meus demônios sentem sede Eu vou desalinhar o enredo Ouço ratos nas paredes Sussurrando meus segredos Meus demônios sentem sede Eu vou desalinhar o enredo Eu vou aceitar que vivo o receio É tão mal tentar, aquarela cinza Na cor do medo eu vou confiar Eu sou só um meio o sistema luta para nos calar Sou só mais um monstro Amargura e o jeito, tem pés e dedos Vai caminhar