Se mata na mata e nas ruas o mote é a morte Se mata na mata e no RJ o mote é a morte Como se já não fosse inferno o suficiente Ainda tem a turba que vibra com a matança Como se já não fosse inferno o suficiente Ainda tem a turba que vibra com a matança Não se sensibilizam pelas mães O fervor provocado Com os corpos enfileirados Os gritos mutados O importante é prender quem trouxe os corpos Para que todos vissem O que deveria ser escondido O que deveria ser escondido Se mata na mata e nas ruas o mote é a morte Se mata na mata e no RJ o mote é a morte O sangue alheio é o sal dos que vivem E se infiltra nas comemorações especulativas Poesia pra eles é necropolítica Afinal nosso estado é de atroz normalidade Porque pra eles Pra eles Pra eles Poesia pra eles é necropolítica Não se sensibilizam pelas mães O fervor provocado Com os corpos enfileirados Os mil gritos mutados O importante é prender quem nos trouxe os corpos Para que todos vissem O que deveria ser escondido O que deveria ser escondido Se morreram inocentes Ossos do ofício Do ofício de manter o inferno no Rio Mas a operação foi bem sucedida O governador já dizia Demorou anos pra planejar o caos, o desastre e a chacina O caos, o desastre e a chacina Cidade maravilhosa em notas pictóricas de pós-lógica Não tem bossa nova inglória no Vidigal, na Penha ou no Alemão E no Palácio Guanabara já se comemora a reeleição