Curto-circuito na rede do poder Faísca na mente de quem quer viver Promessa é fumaça, não dá pra esconder Quem vende o futuro não vai responder No jogo na voz de cada cidade Verdades gritando contra a vaidade No jogo na voz de cada cidade Verdades gritando contra a vaidade Discurso promete a solução Queimando o povo vivendo de apagão Entre o céu prometido e o chão de conflito Deu piripaque aqui é o curto-circuito Hoje vi um menino desperto Sonhando sem futuro Um pai sem salário Comprando medo no escuro Uma mãe sem espelho Vestindo dignidade rasgada Um juiz de olhos fechados Pesando a lei pela espada Vi prato cheio de sobra Em mesa vazia de gente Um tiro sem endereço Batendo sempre no inocente Crianças magras de pressa Com a fome bem alimentada Promessas bem engomadas Na boca da alma quebrada Gente ajoelhada em praça Rezando por salvação Passando reto do próximo Com a fé na contramão Velhos pedindo silêncio Num mundo que grita dinheiro Jovens vendendo esperança Em parcelas de desespero Poetas presos ao grito Chamados de exagero Mentiras vestidas de verdade Pregando do alto do templo Vi a riqueza algemada Ao pulso da exploração Conforto feito de dor E o lucro sempre sugando o chão Sorrisos bem ensaiados Escondendo o lamento Surdos fingindo escuta Ao discurso do fingimento Mãos gastas levantando palácios Mãos limpas assinando o papel O suor regando o inferno Para poucos chamarem de céu No jogo na voz de cada cidade Verdades gritando contra a vaidade No jogo na voz de cada cidade Verdades gritando contra a vaidade Discurso promete a solução Queimando o povo vivendo de apagão Entre o céu prometido e o chão de conflito Deu piripaque aqui é o curto-circuito Hoje vi criança acordada Engolindo o resto do dia Um homem sem trabalho Armado de covardia Vi luxo lavando culpa Em tanque de mão ferida A lei com venda nos olhos Mirando sempre a mesma vida Barriga vazia de tudo Cheia de promessa fria Bala sem dono voando Sabendo onde caía Fé ajoelhada na praça Consciência em fuga total Rezam pra subir pro céu Pisando fundo no igual Velho chorando calado Menino aprendendo a odiar Poeta gritando verdade Mandado se calar Mentira vestida de santo Vendendo salvação Anjo e demônio apertando A mesma mão Miséria presa na coleira Do lucro bem alimentado O fácil vivendo do sangue Do sempre explorado Sorriso treinado na foto Por dentro tudo ruína Surdos batendo palma Para a voz que discrimina Mão rachada constrói castelo Mão limpa fica com o céu O inferno cresce no chão Para poucos chamarem de papel E vi, sem metáfora alguma Sem corte, sem lente, sem dó Um país prometido no discurso E um povo vivendo no pó No jogo na voz de cada cidade Verdades gritando contra a vaidade No jogo na voz de cada cidade Verdades gritando contra a vaidade Discurso promete a solução Queimando o povo vivendo de apagão Entre o céu prometido e o chão de conflito Deu piripaque aqui é o curto-circuito