Entre aplausos e feridas abertas Seguimos vivas, mesmo alertas Nos chamam de frágeis, mas não veem O peso do mundo nas mãos que têm Cuidamos, corremos, calamos, gritamos E mesmo feridas, amamos e edificamos Somos notícia, somos história Somos dor que virou glória E mesmo quando tentam apagar A gente volta a iluminar Porque ser mulher é resistir É sangrar e ainda sorrir É cair e refazer o chão Costurar o amor com a própria mão É ser abrigo e tempestade É flor nascendo em liberdade Mesmo que o mundo queira nos calar Ainda assim, mulher, vamos sempre orar Tem corpo julgado, tem voz cortada Tem sonho preso em palavra errada Mas também tem riso, tem recomeço Tem futuro sendo escrito com endereço Tem menina aprendendo a dizer: Não E mulher refazendo a direção Não somos número, nem estatística Somos a força mais real e viva Entre o medo e a coragem Há uma prece em cada imagem E mesmo sem capa, sem fama A mulher é chama Porque ser mulher é resistir É sangrar e ainda sorrir É cair e refazer o chão Costurar o amor com a própria mão É ser abrigo e tempestade É flor nascendo em liberdade Mesmo que o mundo queira nos calar Ainda assim, mulher, vamos sempre orar E se o mundo parece cego Ela enxerga além do medo Tem em cada passo um legado Tem em cada olhar um recado Nenhum silêncio vai me apagar Nasci pra ser, pra transformar Porque ser mulher é existir Mesmo quando mandam desistir É dançar sobre o caos É viver em liberdade Somos voz, coragem e essência E se perguntarem quem nos guia É a fé, é a vida, é a poesia É Deus que nos ilumina!