Vejo o velho boiadeiro com suas perna enfraquecida Sentado em sua varanda pensando na sua vida Lembrou da sua infância quando ainda era um menino Da primeira comunhão no badalar do velho sino Lembrou da sua mocidade da primeira namorada Da sua primeira viagem transportando uma boiada E do seu primeiro pouso em cima de um baixeiro Primeira queima do alho junto com os companheiros Lembrou do primeiro estouro que um dia a boiada deu Lembrou do primeiro amigo que nesse dia perdeu Ajudando os companheiros reunir de novo o gado O seu cavalo caiu e pelos campos foi pisado Da primeira travessia do perigo os Araguaia Enfrentando a correnteza no lombo da mula baia Da primeira vez na vida que um boi teve que matar Pois quebrou as duas pernas não podia mais andar Do seu primeiro presente que do velho pai ganhou Um laço de quatro tentos que ele mesmo trançou E que ainda ele tem na parede pendurado Já foram 50 anos nenhum tento foi quebrado Da primeira vez na vida que ele mesmo percebeu Que os anos tinham passado e seu corpo envelheceu Já não era mais o mesmo de 50 anos atrás Já não tinha a mesma força do seu tempo de rapaz E foi então nesse dia Que o velho peão chorou E no peito o coração quase que não suportou Porque para esse velho A vida ali terminava Pois não podia fazer aquilo que mais gostava O resto da sua vida viveu de recordação Sentado em sua varanda com o velho laço na mão