Diziam ele não andava bem vestido No passado ele era divertido rindo Passeava por rodas de amigos Conversava atento, solícito e sorrindo Sempre vi que ele via algo a mais Mas nunca vi ele demonstrar Era sutil, quase infantil o manejar De como escondia entre risos o olhar De longe alguns diziam: Ele é estranho Mas poucos viam o que ele escondia Nada ilegal, imoral, coisa desse tamanho Só o peso de algo que só ele via Sempre vi que ele via demais Se ligava em coisas espaciais Um dia de nuance, não sei se querer Ele pareceu falar, transparecer Ele não se vestia como o mundo normal Não casava com nenhuma classe social Não tinha medo ou não deixava transparecer Era como não humano, mas não podia ser Ele se deslocava por variações infinitas Se adequava com dificuldades repetidas Era moldável, com a dor ele se acostumava Adaptável, dinâmico, mudava, nada te abalava Sempre vi que ele via algo a mais Mas nunca vi ele demonstrar Era sutil, quase infantil o manejar De como escondia entre risos o olhar Então numa tarde de uma certa vez Num dia comum, igual, normal, trivial Eu o olhava e via algo que ele fez Escreveu à mão no rodapé do jornal Deixou em cima da mesa de um bar Saiu sorrindo, a me olhar quase um lê-lá Em caneta escreveu: Acordei cedo demais E não acompanhei o ritmo do mundo nos jornais E me contentei apenas com os comerciais