Ele apertou o play na TV Viu um mundo perfeito, tudo lindo de ver Mas no reflexo da tela, um rosto cansado Tava na hora de acordar pro lado errado Saiu de casa, terno engomado Trabalhador, sorriso fechado O chefe gritou, engoliu a raiva Precisa do trampo, engole essa faca O banco ligou, a conta estourada O filho chorando, a esposa calada Mas o político disse calma, irmão Tem um futuro brilhante na palma da mão Mas que futuro? Se tudo é mentira? Cê rala o dia inteiro, no fim nem respira Corre pro trem, enfrenta a fila Mas o imposto já come metade da vida Fim de semana, abriu uma breja Tentou esquecer da dívida eterna Mas no jornal, a festa rolava Deputado rindo, lavando a mala Promessa de escola, promessa de estrada Mas a favela só cresce na praça A bala perdida achou direção Certeira no peito de mais um irmão Mas que futuro? Se tudo é mentira? Cê rala o dia inteiro, no fim nem respira Corre pro trem, enfrenta a fila Mas o imposto já come metade da vida Ele votou, ele acreditou A TV mostrou, ele confiou Mas um dia entendeu, foi tudo ilusão A vida virou só mais uma prisão Na segunda-feira, pegou o busão Olhou pra cidade, pro mesmo ladrão No vidro sujo, seu próprio olhar E pensou baixinho cês nunca vão mudar