Te vi nas mãos calejadas, na faixa de um chapéu surrado Te busquei nas madrugadas, no som do meu corpo cansado Te senti no cheiro da chuva, quando o barro virou chão Mas quando foi embora, levou junto o meu coração Fiz promessa em cada rua, bebi sorte em boteco alheio Te esperei na esquina seca, com o frio mordendo o peito E quando o Sol se escondia, lá no alto do morrão Eu jurava que te via, reluzindo em cada mão Oh, meu amor de notas frias Me aquece o corpo, mas rouba os meus dias Entre o som do couro e a ventania Só tu me dás, e tu me tiras Nos campos dos Campos Gerais, correm rios de ilusão Quem tem muito, nunca dorme Quem não tem, vive em oração Teu brilho compra promessas, teu toque queima razão E quem cai na tua dança, não volta do chão Já vendi até minha alma, só pra te ter mais uma vez Mas tu sempre foges cedo, antes do nascer talvez E o eco do teu nome, vibra dentro do galpão Te chamo de amor, mas és perdição Oh, meu amor de notas frias Me aquece o corpo, mas rouba os meus dias Entre o som do couro e a ventania Só tu me dás, e tu me tiras Tu me dás Tu me tiras Oh, amor De notas frias