No ano três mil talvez as cidades Aprendam de novo a escutar o vento E as avenidas, cansadas de fumaça Deixem crescer jardins no cimento Talvez os homens já saibam Que nenhuma máquina substitui ternura E que todo planeta habitável Estimule a delicadeza de maior alvura Ano três mil, aurora de vidro Pairando azul sobre a escuridão E a humanidade enfim desperta Do longo inverno da ilusão Ano três mil, aurora de vidro Pairando azul sobre a escuridão E a humanidade enfim desperta Do longo inverno da solidão Haverá crianças olhando Saturno Feito quem contempla um quintal vizinho E velhos telescópios esquecidos Dormirão em museus de alumínio Talvez ninguém mais precise gritar Para provar existência ou razão Porque a inteligência terá descoberto O antigo valor da contemplação Ano três mil, aurora de vidro Pairando azul sobre a escuridão E a humanidade enfim desperta Do longo inverno da ilusão No ano três mil talvez a humanidade Finalmente compreenda devagar Que sobreviver nunca foi bastante E que viver era aprender a se maravilhar Ano três mil, aurora de vidro Pairando azul sobre a escuridão E a humanidade enfim desperta Do longo inverno da solidão