Era gente que temia A sua fúria seu amor De não será fantasia Que o branco desejou O silêncio já foi ferramenta Da calar tempestade O silêncio já foi Já não é já não cabe mais Condecorado entre palavras gestos Carrego ódio mascarado capitalizado Em seu lugar, em seu lugar Era gente que temia O cabelo em temporal Quando o tempo fechar Toda fúria destruirá Seus castelos brancos de papel Quando eu canto me refaço Trago junto escuridão E os que temem se desfazem Do meu peito em trovão Entoar toda voz de mulher negra eu Tomo forma de assumir -me planeta inteiro Da poesia negada Da música negada Da ciência negada Da beleza negada Do amor negado Negado na memória branca Na mentira que conta si Todos os dias Eu não racista, eu não sou racista Você é racista! Quando eu canto me refaço Trago junto escuridão E os que temem se desfazem Do meu peito em trovão