João da Serra desceu da roça Sapato gasto, camisa grossa Um homem simples, de olhar cansado Carregava no peito um fardo pesado Saiu cedo de sua terra Buscando paz, fugindo da guerra Não de armas, mas da seca dura Queimava a vida, matava a cura E lá vai João, o homem do sertão Com a Bíblia no bolso e fé na mão Buscando abrigo, buscando amor Sonhando ouvir a voz do Senhor Chegou na cidade com passos lentos Olhou a igreja, ouviu os cantos Pensou consigo: Aqui é meu lugar Mas não sabia o que ia encontrar Na porta um diácono olhou com desdém Esse homem sujo não é daqui, amém E João calado, com fome e sede Só queria um abraço, só queria uma rede E lá vai João, o homem do sertão Com a Bíblia no bolso e fé na mão Buscando abrigo, buscando amor Sonhando ouvir a voz do Senhor Mas quem disse que o Reino é só pra quem pode Jesus veio ao pobre, ao doente, ao sem nome O Filho do Homem não rejeitou ninguém Mas os homens ainda não aprenderam a lei Amai-vos como Eu vos amei Naquela noite João chorou sozinho Pensou que até Deus lhe deixou sem destino Mas três jovens que ouviram de longe Correram atrás, o chamaram pelo nome João da Serra, não vá embora Deus te viu chorar, Ele te restaura A casa é Sua, você é irmão Vem se assentar, segura nossa mão Agora João, o homem do sertão Encontra abrigo, família e pão Na mesa da graça encontrou o amor E ouviu bem claro a voz do Senhor Amai-vos amai-vos amai-vos assim Como Eu vos amei até o fim