Eu vi as montanhas quando eram areia Eu vi o destino descendo até Vi reis de ouro virarem poeira E o tempo queimando na minha fogueira Minha bota tá velha, mas nunca desata A sola gastou, mas a alma não mata Já tive mil nomes, já tive mil lares Já naveguei por cinquenta mares Mas tudo que eu toco o tempo consome Só resta a lenda e some o meu nome Terei amores, inimigos Hoje são apenas fantasmas antigos A cova me nega, o céu me rejeita A minha sentença nunca foi aceita Eu peço descanso, eu peço o fim Mas a morte esqueceu o caminho de mim Sou prisioneiro da luz do Sol Um peixe que nunca engole o anzol Não é uma dádiva, é uma corrente Viver para sempre, eternamente O mundo dá voltas, a história repete E eu sou o alvo que a flecha não mete Caminho na estrada sem rumo e sem chão Carregando a história na palma da mão Eu grito pros anjos, eu grito pro breu Por que todo mundo vai, menos eu? Mas o silêncio é a única voz E o tempo desata todos os nós A cova me nega, o céu me rejeita A minha sentença nunca foi aceita Eu peço descanso, eu peço o fim Mas a morte esqueceu o caminho de mim Sou prisioneiro da luz do Sol Um peixe que nunca engole o anzol