Entrei no salão onde a sombra descansa O diabo sorriu, me pediu uma dança Não quero tua alma, ela já tá vendida Hoje a aposta são anos de vida Sentamos na mesa de cedro queimado O baralho estranho, antigo e pesado Ele deu as cartas com mãos de caveira O som do papel parecia poeira Se você ganhar, vive para sempre Se perder, morre agora contente Eu olhei pro jogo, um par de valetes Feitos de ossos de velhos cadetes O relógio parou Mas o ás de espadas é feito de chumbo Ganhei a partida, ganhei o mundo Mas o prêmio é maldito, agora eu sei Ver todos morrerem foi o que ganhei O baralho de ossos nunca mentiu Quem ganha a vida, a morte engoliu Agora eu caminho sem ruga no rosto Bebendo a saudade, sentindo o gosto Enterrei minha amada, enterrei meu irmão E eu continuo com as cartas na mão O tempo me esquece, a morte me evita Sou só uma lenda que ninguém acredita Eu quero perder, eu quero ir embora Mas o jogo não deixa chegar minha hora Mas o ás de espadas é feito de chumbo Ganhei a partida, ganhei o mundo Mas o prêmio é maldito, agora eu sei Ver todos morrerem foi o que ganhei O baralho de ossos nunca mentiu Quem ganha a vida, a morte engoliu