Eu já enterrei doutor, já enterrei ladrão Já joguei terra em cima de muito barão Eles chegam aqui com roupa de seda e linha Mas a cova é estreita e o corpo fica sozinho Não me pergunte o nome nem o que ele fez Aqui embaixo todo mundo é freguês O padre reza a missa, a viúva chora Mas quando o Sol se põe e todo mundo vai embora Sou eu e a paz num silêncio profundo Plantando sementes que não brotam no mundo Porque a terra tem o mesmo gosto para todos Pro santo, pro pecador, pros donos e pros doidos Você pode ter ouro, pode ter brasão Mas não leva nada pro fundo do chão Eu sou o jardineiro que fecha a cortina Onde a vaidade do homem termina Vi homem valente tremer na despedida Tentando comprar mais um dia de vida Mas a morte não vende, a morte só cobra E o que você juntou aqui vira sobra Meu trabalho é simples, é devolver pro pó O rei e o mendigo no abraço só Porque a terra tem o mesmo gosto para todos Pro santo, pro pecador, pros donos e pros doidos Você pode ter ouro, pode ter brasão Mas não leva nada pro fundo do chão Eu sou o jardineiro que fecha a cortina Onde a vaidade do homem termina