Eu que já sou cobra criada De outros velhos carnavais Não entro mais em laranjada Hoje fico na beira do cais Vendo a pipoca animada Na corda eu não colo mais Um abadá custa milhão ou até mais Ué? Mas abadá Num era bata de negão? Agora é fashion, mêrmão Sou da paz, sou folião Filho de gandhy Todo ano a desfilar Tapete branco, uma emoção Eu na avenida a cortejar Pra beijar e então ficar Com a fina flor do afoxé Ao som de atabaques e agogôs Fazendo juras de amor e fé Em salvador, sua linda O barril aqui é dobrado Pra quem vive na berlinda Na capital da Berlíndia No elevador, a cerda enroscou Na cidade baixa, então baixou O preço da carne moída a chocolate Cão que late, morde e abate Nem sempre inocentes e nobres Sempre e aparentemente pobres Puxa o trio, motor Na orla ou na avenida Cuidado lá na descida Que não sou galo de briga Sou da paz, mas sou kannário Pois também não sou otário Pra viver só de intriga