Negro, tua pele é o mapa De caminhos que não são teus E por mais que tu andes Não entrarás na Casa Grande Nem clamando o nome de Deus Não entrarás no reino do céu Um Deus branco de olhos frios Criou o apartheid celestial Com degraus escorregadios E trancou a porta principal Preto cativo Capitão-do-mato Escravo passivo Pedra no sapato Que tu, Edson, tomes juízo! Agora depois de velho Viraste negro cativo Pregador de um evangelho Muito arcaico e nocivo Tu que já foste canto De resistência e raiz Hoje nos causa espanto Negas a própria autoria Culpando os comunistas E se aliando à burguesia Rei mal coroado Profeta equivocado Acende fogueira na arte Sopra cinza em toda parte Do sistema é aliado Religião é o escudo Protetor dos senhorios Que querem o negro mudo Ignorante, sem brio E sem nenhum estudo Negro cativo Servo do castigo