Há um mapa rasgado no chão do cais Onde a certeza vira o sal que não sacia Somos apenas a rede vazia Antes do Mestre passar Pergunto a Pedro sobre o medo no mar revolto Se o peso do peixe não o fez esquecer o encontro A dúvida tem a cor da espuma que se desfaz Ela toca a praia e volta atrás Construí minha casa com o que a maré me deu E vi que com o tempo ela se rompeu Tu és a rocha em mar de areia Quando o céu se apaga, és minha candeia Mesmo na praia, firme estou Pois Tu me sustentas, meu Deus e Senhor Tento ser o grão que enfrenta o inverno Mas caio qual folha em solo eterno A vida é sede que nunca se finda E a estrada é estreita, mas linda Não sei dizer da Cruz com eloquência Mas trago na pele Tua presença Na fraqueza, encontro o sinal De que em mim Tua força é sopro real E quando o vento cala o nome da esperança Ouço outra vez Tua lembrança O chão some, mas o céu me chama E em Teu olhar, descanso com calma Tu és o abrigo em tempestade Quando o vento é forte, no silêncio da tarde Mesmo no vento, firme estou Pois minha força vem do Autor E mesmo sabendo que posso me abalar Ainda assim, tenho em quem confiar