Aquele que anda por trás das fileiras me revelou em um sonho Ele disse Cuidado Pois haverá duas pessoas que irão te trair O vento assovia Ele sabe de tudo A terra se abre em silêncio A colheita é nossa E será Saberemos tudo A foice brilha no altar do sacrifício Eu despertei com o campo chamando meu nome O orvalho parecia sangue sobre as folhas Não era delírio Não era medo Era convocação As espigas se moviam sem vento Como se me observassem Como se aguardassem meu passo final Duas sombras caminham ao meu lado Sorrindo Jurando lealdade Mas o solo já sussurrou seus nomes A terra nunca mente Confie apenas na lâmina Confie apenas no corte Eu sinto o peso da revelação O céu escurece antes do tempo O milho se curva como testemunha Traição cresce como erva daninha Silenciosa Oculta Enraizada Mas eu fui escolhido Eu fui avisado Nenhuma raiz podre ficará escondida O vento carrega os segredos O campo respira inquieto A noite desce sobre as fileiras Isaac levanta a foice O aço reflete o presságio As sombras já tremem O julgamento é necessário Isaac levanta a foice O altar está erguido Entre trigo e silêncio O sacrifício é cumprido Aquele que anda por trás das fileiras observa Ele vê a mentira antes que ela floresça A foice não hesita A colheita começa