Ó Mãe, eu nasci num país Nasci num país que me odeia Dizem: Deixa passar a louca Dizem: Deixa passar a feia Ó Mãe, eu nasci num país Nasci num país que me odeia Dizem: Deixa passar a louca Dizem: Deixa passar a feia A extrema direita que eu assumo é ter na mão direita um punho que carrega uma caneta Voz armada com bala de chumbo, tiro seguido de fumo, sou mulher e sou poeta Querem voltar atrás no tempo, plantar o medo cá dentro, gritam: Deus, Pátria e Família E um marido que traga sustento ou mais um olho cinzento, diz que foi contra a mobília Ó Mãe, eu nasci num país (nasci num país) Nasci num país que me odeia Dizem: Deixa passar a louca Dizem: Deixa passar a feia (eh, ah, eh, ah) Ó Mãe, eu nasci num país (nasci num país) Nasci num país que me odeia Dizem: Deixa passar a louca Dizem: Deixa passar a feia Oh, oh, oh, oh, eh Oh, oh, oh, oh, eh Oh, oh, oh, oh Eh, ah, eh, ah Vocês odeiam as mulheres e quando matam as mulheres, querem chorar e acender velas (uh) Mas metade do mundo são mulheres e a outra metade do mundo é feita dos filhos delas (oh) Um país sem casa nem conforto, querem falar do aborto, querem nos tirar os livros Sou filha de abril, saí do esgoto, nasci pronta para o confronto e eles gritam-me aos ouvidos Ó Mãe, eu nasci num país (nasci num país) Nasci num país que me odeia Dizem: Deixa passar a louca Dizem: Deixa passar a feia (eh, ah, eh, ah) Ó Mãe, eu nasci num país (nasci num país) Nasci num país que me odeia Dizem: Deixa passar a louca Dizem: Deixa passar a feia Ó Mãe, eu nasci (oh, oh, oh, oh, eh) Ó Mãe, eu nasci (oh, oh, oh, oh, eh) Ó Mãe, eu nasci (oh, oh, oh, oh) Num país (eh, ah, eh, ah) Ó Mãe, eu nasci (oh, oh, oh, oh, eh) Ó Mãe, eu nasci (oh, oh, oh, oh, eh) (Oh, oh, oh, oh) Deixa passar a feia (eh, ah, eh, ah)