Abismo de desdém, o fim da sanidade À beira da loucura, questionando a realidade Sob o peso das correntes, perdemos a vontade Seremos sombras, ecos da humanidade Uma casa vazia, gritos no ar Sombras que nunca quiseram ficar Olhos de criança, sem entender O que é o amor e o que deveria ser As mãos da mãe, agora ausentes Um abraço perdido entre vozes silentes A luz se foi e a solidão ficou E só aprendi a andar onde a dor me levou Encontrei o fogo e quis me aquecer Mas ele queimava pra me esquecer No escuro fiz o meu lar Onde nem os anjos ousam pisar Rostos somem, olhares viram Quem eu amava, agora me evitam O veneno dizia: Você vai se curar Mas só roubava, só fazia quebrar Reconstruí, me quebrei de novo Ciclo cruel, corrente e fogo O espelho trincado, mãos marcadas Culpa e dor, feridas abertas Mas na escuridão ouvi um som Um sopro fraco, um resto bom Por entre a lama comecei a rastejar Não pra vencer, mas pra não afundar Minhas cicatrizes contam quem eu sou Cada escolha errada, cada porta que fechou Vou caminhar, mesmo sem direção Com os pedaços que restaram no chão Mas a dúvida sempre me chama O peso eterno, a mesma trama Devo seguir ou deixar pra trás? A resposta, talvez, eu nunca terei mais Abismo de desdém, o fim da sanidade À beira da loucura, questionando a realidade Sob o peso das correntes, perdemos a vontade Seremos sombras, ecos da humanidade Em meio ao caos, nos arrastamos Na sombra da rotina, nos desgastamos Peles marcadas pelo fardo do existir O silêncio grita, impossível de se ouvir Lutamos por migalhas, sonhos despedaçados A esperança é um véu que cobre o vazio calado Nos contentamos com as cinzas do que nunca foi Enquanto o tempo, implacável, nos destrói Qual é a loucura que trará a liberdade? Destruir ou criar, o que restará da verdade? Em um mundo sem cor, somos apenas carne E o sangue que escorre é a única arte Abismo de desdém, o fim da sanidade À beira da loucura, questionando a realidade Sob o peso das correntes, perdemos a vontade Seremos sombras, ecos da humanidade