O contato com a natureza me fez entender Que o sentido da vida é mais ser do que ter Que pra sorrir de verdade, não é acumular É saber quem você é quando aprende a parar O vento fala baixo, a terra ensina bem Que o simples sustenta mais do que o além Quando o peito silencia, o mundo faz sentido E o essencial aparece sem ser pedido Estive onde o consumo dita a direção Poder de compra alto, cifra, ostentação Dólar a perder de vista, luxo sem raiz E foi ali que eu entendi o que me faz feliz O valor das coisas que o dinheiro não compra O som da língua nativa que a alma apronta Tem riqueza que não entra em transação Tem verdade que só nasce do chão Não existe lugar perfeito pra morar O lugar é o que a gente aprende a cuidar Essa ideia de paraíso lá fora Projeta os sonhos pra longe e atrasa a hora Meu povo, minha língua, meus costumes Mesmo com defeitos, essa natureza nos une Grato por entender onde é que eu pertenço Pode ser o meu lugar, pode ser o seu também, eu penso Às vezes é preciso ir pra descobrir Viajar, se perder, se permitir sentir Outras ruas, sabores, outro jeito de andar Pra entender qual caminho faz sentido voltar Cada passo distante clareia o olhar Mostra o valor do que sempre esteve lá Tem saudade que ensina, não deixa esquecer Que raiz não se troca, se aprende a viver Nem tudo que brilha é direção Nem todo lugar vira lar Pertencer não é geografia É onde o coração aprende a ficar Meu povo, minha língua, meus costumes Mesmo imperfeitos, essa natureza nos une Hoje eu sei de onde vem meu sustento É do chão, é da gente, é do sentimento Meu povo, minha história, meu lugar Não é sobre ir longe, é sobre onde pousar Se você entender onde pertence também Talvez esse lugar te espere, como me esperou, amém