Falta reconhecimento Onde a visão se esconde Rapaziada grita alto Mas ninguém responde Poeta de rua, talento ignorado Fazendo o corre, dom desacreditado Sonhos engavetados Por um sistema fechado Falta oportunidade Pra quem não tem espaço O artista resiste Mesmo sendo sabotado Na batida da vida O grito é liberado Rap é correria, é suor derramado Arte que surge do sentimento quebrado Instabilidade financeira, orçamento precário Recurso negado pra quem não aceita ser dobrado Concorrência desleal Mercado saturado Sem grana, sem mídia Mas mantendo o legado Monopólio disfarçado De cultura virou cifra Movimento elitista Que quer corromper o artista O rap é do morro, do beco, da favela Não do opressor que quer ditar as regras A falta de estrutura faz parte da luta Mesmo com as dificuldades, o rap continua Do barraco pro mundo Sem pedir permissão Superando as barreiras Seguindo na contramão Selos se fecham No jogo articulado Trancam o acesso Da geração ao legado Gravadoras seguem Pelo caminho contrário Fecham as portas Pra quem não é do mercado Nada contra com quem chegou ao topo O papo aqui é outro É sobre quem está ausente Que sonha em ter espaço Mas segue independente Com suor no estúdio E sonho a ser alcançado Atitude na letra Dor que vira cenário Artista que persiste Mesmo sem salário Censura perde o flow E flow é liberdade Só quem vive o rap De verdade sabe É ponte erguida Pra quem nunca teve estrada É verso que liberta Quem está na caminhada Voz que incomoda E nunca se cala Luz que desperta A mente apagada Resistência na rima Não arte fabricada Não é sobre a fama É respeito ao legado É sobre quem constrói E não é valorizado Todo artista sonha Em viver do seu talento O dinheiro é necessário Mas não compra sentimento Rap é a voz do marginalizado Cultura que resiste Mesmo do outro lado