Chamam de estranho esquisito distante Mas não enxergam o brilho raro no semblante Cada gesto cada traço cada forma de pensar É a beleza que nenhum padrão consegue enquadrar O preconceito é veneno que se espalha sem razão É ignorância vestida de falsa compaixão Falam de inclusão mas discriminam com frieza Transformam a diferença em motivo de tristeza Dizem que é um fardo que é erro um desafio Ignoram o que é mal compreendido Só quem abre a mente com amor e empatia Enxerga em cada gesto a beleza e a alegria Na escola no trabalho no rolê na multidão É o olhar torto a barreira a exclusão Quem para pra entender pra sentir e pra ouvir Percebe que o autista tem muito pra descobrir No olhar calado há um mundo a conhecer Mas julgam com gesto sem querer compreender Não sabem o que é viver de um jeito diferente Enquanto o mundo exige que se pense como a gente É preciso romper o ciclo da ignorância E ver que o autista faz parte da beleza humana Pra quem pensa que inclusão é só um discurso bonito Na prática o respeito ainda é raro e continua restrito Quantos gênios já passaram sem ser percebidos? Quantos sonhos foram mortos por olhares distorcidos? Quantas mães choram caladas sem apoio ou incentivo? Quantos filhos são julgados sem motivo? Não é olhar com pena pra quem é diferente É só abrir o mundo o coração e a mente Respeitando as diferenças que nasce a esperança Pro mundo mais justo acolhedor e com mudança