No meio do ônibus lotado Um homem viaja sentado Pensando longe Ele não tem mais dezesseis Pode ser Pode ser que esteja atrasado Ou triste pelo tempo nublado Talvez desânimo Talvez esteja como eu No meio do trem enlatado e falho Um homem ganha seu trocado Vendendo chocolate barato Gritando: Agora é dois por três Triste cidade Onde o ser humano perde o afeto Sinal verde aponta o semáforo Um velho apático não percebe E leva um empurrão Ele só quer parar Falar de seu tempo passado E descansar E deixar um legado O celular e o som no máximo Incomodam a mulher lendo seu livro santo E o flanelinha quer seu ganha-pão Um homem tenta estacionar No que parece ser Uma luta em vão Triste cidade Onde o ser humano perde o afeto A casca de banana e o golpe Tem malandro armando a sorte Parece trágico Não ter a chance de vencer Um carro de vidro filmado Protege UM acéfalo Se escondendo atrás da ignição Ele só quer mostrar Que não tem nada além do carro De seu motor e seu pneu cantado O olho treme, a voz vira trovão A raiva tenta resolver Pois falta estômago Triste cidade Onde o ser humano perde o afeto (É o seguinte malandragem) (Que ainda não dançou, vai dançar) (Olha o golpe aí, gente!) (Cadeia na vagabundagem, malandro)