Em meio à barbaridade ele vê futebol E ela sente vontade de ter mais proteção Fim de semana no bairro, baile Tem automóvel que mata e foge Tem foguetório na praça Em meio à simplicidade do seu quintal Cerveja e papo furado à luz do Sol Braveja o homem da casa O vendedor bate palma E o seu Zé bate estaca na construção E a rua é uma ladeira Que faz a chuva correnteza Que modifica a brincadeira Faz de cada subida uma dor Era um menino de bairro querendo brincar Chute de bico que explode no portão Driblando os móveis da sala Batendo a falta na porta E lembra do gol de placa De quando o seu time foi o campeão Em meio à falta de sorte jogou no milhar No vício do carteado, o mês de aluguel Em meio à falta de idade se tornou pai Com amor e dignidade casou com a mãe E o filho carrega traços do velho avô E o vira-lata na coleira E o escapamento ensurdeceia Quarta é dia de feira Não sei se vou No bar de mesa vermelha A vida é sempre sexta-feira Ou quem sabe quarta-feira Dia de jogo Em meio à barbaridade ele vê futebol E ela sente vontade de ter mais proteção