O Sol nascia atrás do milharal E a estrada ainda dormia em paz No rádio um modão antigo tocava E o dia prometia mais Bota suja de terra vermelha Chapéu velho cobrindo o olhar Eu levava a vida do jeito simples Que o interior sabe dar Foi na venda perto da praça Que eu vi seu sorriso chegar Vestido leve, perfume da cidade Que o vento trouxe pra cá Ela riu do meu jeito tímido Eu ri do jeito dela falar Duas vidas tão diferentes Se encontrando no mesmo lugar Ela tinha pressa de cidade Eu tinha tempo de interior Ela vinha cheia de sonhos Eu só queria um pouco de amor Mas quando a noite caiu na varanda E a Lua começou a brilhar Nem terra, nem asfalto no mundo Conseguia a gente separar Ensinei ela andar de cavalo Ela me ensinou a sonhar Disse que o mundo era grande Mas gostava de ficar por lá Na porteira vendo o pôr do Sol Ela encostada em mim sem falar E naquele silêncio bonito Eu aprendi o que é amar Se a cidade chamar um dia E ela tiver que voltar Levo comigo aquele sorriso Que veio só pra me encontrar Ela tinha pressa de cidade Eu tinha tempo de interior Mas no meio daquele caminho Nasceu nosso velho amor Entre terra, poeira e estrada Nosso destino se escreveu Ela trouxe o mundo nos olhos E meu coração ficou seu Se um dia a saudade apertar E o vento soprar devagar Talvez lá na estrada de terra Ela volte pra me encontrar