Anda nas ruas escuras Sapatos no asfalto, cansaço no peito Um personagem que habita Um corpo sofrido, um tanto sem jeito Rumo à cidade sem trégua Violência diurna, império sem lei Garoto criado no campo Subindo em prédios, querendo ser rei Esperança em quê? Esperando em ser O quê? Deixando o amor Buscando o amor Viver Recém-chegado de longe Carteira vazia, olhar sonhador Um sentimento contido Bagagem de pano e promessa de amor Uma mulher no passado Um anel de noivado no bolso de trás Um rosto já desbotado Num velho retrato que não brilha mais Esperança em quê? Esperando em ser O quê? Deixando o amor Buscando o amor Viver O coração viajante Vaga no tempo, sem rumo ou metas Resiste a tragédias ocultas Correndo perigos em noites incertas Procura em salas escuras Resposta num tempo que não se conserta Vencido, o garoto do campo Ri de comédias na cinemateca A luz do projetor agora é o seu luar Onde o asfalto termina, o filme vai começar Esperança em quê? Esperando em ser O quê? Deixando o amor Buscando o amor Viver Anda nas ruas escuras Vagando no tempo, sem rumo nem metas Um personagem contido Vê sua vida em noites incertas Em noites incertas