O olhar do homem quando olha o longe É o olhar da fome, o desejo de estar De volta ao porto, ao solo sagrado Ao velho lugar onde o mundo nasceu O olhar do homem quando olha o longe É o olhar da sede que guarda um segredo No modo de ver, no jeito de estar E não se revela nem mesmo pra Deus É o rumo da estrada, é a inquietação É o salto da fera, é o rio profundo O olhar do homem quer a imensidão Querendo saltar dos limites do mundo É o olhar de quem quer desertar O homem, no tempo em que ainda é cego Tem o olhar firme, o bater do martelo Batendo com força sobre a sua verdade Na luz absoluta do branco da Lua O homem não para, não se observa O que ele carrega já vem do seu berço Não busca o destino, é a vida que o situa No vácuo do tempo, no meio da rua É o rumo da estrada, é a inquietação É o salto da fera, é o rio profundo O olhar do homem quer a imensidão Querendo saltar dos limites do mundo É o olhar de quem quer desertar Em cada jeito que o homem olhar É o coração querendo saltar