O tempo flui no leito, sem pressa e sem foz Na correnteza mansa que emudece a nossa voz A Terra gira em transe, num bailado sideral Onde o simples se reveste de um brilho magistral Há um segredo doce no jardim que desabrocha Uma força que germina sob a dureza da rocha A vida não é fardo, nem decreto, nem prisão É o coração do mundo pulsando em cada mão É brisa leve que acaricia o rosto no amanhecer Mas traz o vácuo do ciclone no ímpeto de viver É o perfume raro da flor que ao Sol se entrega A calma do riacho e a tormenta que nos cega Intensa como o raio, sutil como o orvalho A vida é o fruto místico brotando em cada galho Não busque o peso do chumbo na seda do destino Deixe que o vento trace o seu curso peregrino Pois na fúria das águas que esculpem o penhasco Existe a mesma vida que habita o frágil frasco A alma se agiganta quando aceita a impermanência Misturando a paz da relva com a brava resistência Somos o próprio Cosmo em versão de carne e osso Um mergulho infinito num azul sem fundo ou fosso É brisa leve que acaricia o rosto no amanhecer Mas traz o vácuo do ciclone no ímpeto de viver É o perfume raro da flor que ao Sol se entrega A calma do riacho e a tormenta que nos cega Intensa como o raio, sutil como o orvalho A vida é o fruto místico brotando em cada galho