Lembra da menina que contava as horas no relógio? Com medo de que o tempo fosse um breve monólogo Ela achava que entendia o mundo inteiro ao redor Mas sentia um vazio, um silêncio que era o pior Por medo de ferir, ela guardava o nó na garganta Mal sabia ela a força da voz que hoje canta Sua palavra era lei, um pacto de alta frequência Levava cada promessa até a última consequência Se dava uma opinião, era o seu ouro mais puro Mas recuava um passo diante de qualquer muro Um sinal de reprovação e ela se fazia pequena Hoje eu digo a ela: Valeu cada cena Essa menina cresceu, floresceu, se libertou O que era medo, em coragem ela transformou Se eu esqueço o que você disse ao virar a esquina É que hoje eu foco no que me ilumina Minha mente é um céu, não um arquivo de dor Eu escolho o que guardo: Só o que for amor Fui trabalhada no tempo, na alma e na análise Tirei meus sonhos antigos da paralisia e da crise Cada trauma virou degrau, cada sombra virou luz Hoje eu carrego comigo só o que me conduz Eu me analisei, me entendi, me abracei enfim E descobri um universo inteiro dentro de mim Aquela menina que não esquece um desdém? Hoje ela olha pra ele e diz: Eu tô muito bem Tudo o que ela sentia agora faz todo o sentido O mapa do meu tesouro estava apenas escondido Eu sou a minha melhor versão A menina e a mulher em uma só canção