Houve uma melodia que me chamou à profundeza Buscando em mim um único tom, uma clara leveza Mas habito um prisma onde as cores colidem Onde todas as marés do peito coincidem Desejei o vácuo, o mármore frio do silêncio Para calar o estrondo do meu pensamento intenso Mas descobri que a quietude não é o som se apagar É ser um oceano em paz, enquanto o mundo quer transbordar Minha mente é um arco, a flecha é o meu destino Onde o impossível é apenas um traço, um desatino A liberdade é o meu norte, a saúde é a minha base Celebro a vida na coragem de cada nova fase Aqui estou eu, furacão de cores e de luz Desatando os nós que a inércia produz Não sou os escombros de um tempo que ruiu Sou a força da corrente que pro mar se abriu Aqui estou eu, na batida de um ritmo solar Despindo as máscaras para o meu ser dançar Sou uma estrutura esculpida por ventos cortantes Sobrevivente de eras, de impulsos gigantes Fui cinza e carvão no que ficou para trás agora Mas transformei a memória na luz que em mim vigora Escrevo poemas com a tinta da minha resiliência Para as almas raras que sentem a minha essência Aqueles que me moveram, que o meu fogo sentiram E em meio ao deserto, comigo sorriram Ouço o meu eco, ele é vasto e cristalino Um grito de dentro, um rastro genuíno É a minha revolução, meu estilo, minha obsessão A busca clara pela minha própria conclusão Não sou um eco, sou a voz que o vento traduz Sendo o maestro da minha própria luz Aqui estou eu, tempestade de vida e de paz Deixando o que é estático e morto para trás Enquanto o mundo se esconde em molduras de pó Eu sou o horizonte, o ponto final e o nó Amo o meu trajeto, sinto a minha direção Aqui estou eu, em plena floração