Bateu aquela agonia, o tédio te visitou E o meu perfil na tela mais uma vez te chamou Você repara no prato, na roupa, no meu caminhar Faz de um simples minuto um evento pra comentar Conhece o meu nome, um frame, uma cor E monta um castelo sem saber o valor Mas o trailer da vida, por mais que seja legal Não chega nem perto do meu original Admito, o olhar de cima a baixo tentou me parar Esse peso do julgamento que você quer me entregar Mas o incômodo passa, ele voa com o vento Porque eu não caibo nesse seu julgamento As redes são pontes, janelas pro Sol Mas nunca o retrato do meu pôr do Sol Enquanto você assiste, eu escolho viver Entre um post e outro, eu prefiro o ser Minha vida não é link, nem recorte, nem farsa É risada com amigos, é a vida que passa Se o seu canal tá sem cor, sem brilho, sem graça Vem viver o real, deixa a ironia de lado e abraça Eu entendo, eu sinto, é triste notar Que falta aventura no seu próprio olhar Ser espectador do outro é um modo de se esconder Deixando a própria história murchar e morrer Mas eu te encorajo: Larga o celular Tem um mundo lá fora querendo te ensinar Que a verdade não mora em filtros ou curtidas Mas nas marcas e afetos das nossas feridas Não sou alvo, sou flecha, tô em movimento Não sou vitrine, sou alma, sou puro sentimento Olhe pros lados e veja o que é real O abraço que esquenta é o ponto final Acompanhe os recortes, se isso te faz bem Mas saiba que eu sou muito mais do que se obtém Além do link existe um universo em flor E aqui deste lado, só tem espaço pro amor Viva o seu filme, não apenas o meu trailer