Que fazer quando não se sente nada? Vazio que constrange, ausência que retrata Um presente fantasma, sem cor ou calor Eco de um passado transbordado de dor Depois de sentir o mundo em torrentes Tudo que resta são lentes turvas, mentes Que só desejam parar de sobreviver E algo além do existir poder conter Ano da alma Derreto em silêncio, uma calma fria A paz não chega, é uma fuga vadia Corpo adormecido, pulsos sem compasso Tudo é névoa, tudo é cansaço E nessa hora de desamparo e espanto Busco uma cura que não encontro tanto Que fazer quando o giro é lento, pesado? Quando o esperado se torna um não-sabido lado? A situação estala, fissura, racha É passageira ou é mancha que não desmancha? Depois de sentir o mundo em torrentes Tudo que resta são lentes turvas, mentes Que só desejam parar de sobreviver E algo além do existir poder conter Ano da alma Derreto em silêncio, uma calma fria A paz não chega, é uma fuga vadia Corpo adormecido, pulsos sem compasso Tudo é névoa, tudo é cansaço E nessa hora de desamparo e espanto Busco uma cura que não encontro tanto E tento amadurecer nesse deserto Aceitar que sozinho estou ferido, certo? Preciso de outras mãos, outros olhares Reconstruir-me com humanos lares Não é fraqueza pedir um amparo É a semente mais forte do meu reparo Ano da alma (mas vou atravessar) Derreto, mas me reúno para me encontrar A paz não chega, então eu vou buscá-la Corpo adormece, mas a vontade se estrala Tudo é névoa, mas eu soprarei o vento Tudo é cansaço, mas me ergo no momento E nessa hora, aceito o desamparo E encontro na fragilidade o meu reparo E se tudo gira devagar Aprendo a dançar nesse lugar E se é momentâneo ou durar Eu sei que vou me reencontrar O vazio também é lugar E dele vou brotar