Você é tão diferente do que eu imaginei Quantas vezes ouvi e calada guardei? Às vezes, um bom dia é uma escalada Uma guerra Um sorriso esboçado Que o cansaço encerra Tem dia que o rosto é luz Puro brilho e clarão No outro, o silêncio é o que dita o tom Da expressão Sou fantasma ou vitrine? Querendo sumir ou ser vista Caminhando na corda bamba De uma mente artista Abri os livros, chamei os mestres Para conversar Pois o que queima em mim Ninguém soube explicar Eles brigam entre si Cada um com sua razão Mas no fundo do caos Eles me estendem a mão Quem sabe dizer o que define o meu ser? Entre a história que herdei E o que eu escolho viver Se o medo me aperta Ou se a escolha é o que conduz Cada frase desses gênios Hoje me traz uma luz Ouço Søren Kierkegaard sussurrar com clareza A vida só pode ser compreendida Olhando para trás Mas deve ser vivida para a frente E quando o mundo desaba E a dor me persegue Nietzsche me levanta E com força prossegue Deus está morto E o que não me mata Torna-me mais forte Se me sinto perdida Sartre me lembra o meu fado O homem está condenado A ser livre E a honrar o seu legado Sem essência pronta Eu sou o que eu construir Mas Skinner aponta O ambiente onde eu cresci Entre o determinismo E a liberdade que eu sinto chegar É na história da vida Que eu aprendo a voar Mas no frio do deserto Quando a angústia é o que temos Albert Camus traz o sol Que todos nós merecemos No meio do inverno Descobri por fim Que havia em mim Um verão invencível Já não sou mais escrava Do que ninguém percebeu Pois Sigmund Freud me avisou Que o mestre não sou eu O ego não é mestre Em sua própria casa Então mergulho no fundo Onde a alma se abraça E como Carl Jung me ensinou A ver o que resta Quem olha para fora, sonha Quem olha para dentro, desperta Despertei, olhei pra dentro E me encontrei