No cais de vidro, quem só vê a maré partir Coleciona reflexos de um navio a zumbir Junta cacos de espelho, mapas de um lugar E pensa que a minha história é só o que está no ar Observa o meu sapato, o laço, o pó no chão E faz um romance do meu simples respirar Mas o que a moldura guarda é só poeira de ilusão Enquanto eu sou o sal que se dissolve no mar Sinto o véu, o rumor que tenta me cristalizar É ver na tela um rio que não sabe navegar Mas é só um arrepio, um vento, vai passar Pois meu Sol nascente eu vou cantar Olho pro lado e vejo o brilho de quem veio dançar! (E o coração acelera!) Sou tempestade em alto-mar, não sou a imagem no ar Eu pulso, salto, quebro a bolha de olhar pra olhar Enquanto você arquiva um instante congelado Eu sou o abraço, o grito, o corpo liberado! Sou raiz, não moldura! Chama, não pavio! A vida é agora, e eu tô no meio do furacônio! E o que você chama de eu É só um peixe de papel num aquário seu Eu vou é mergulhar, mergulhar, mergulhar Onde o eco vira voz pra gritar! Sou tempestade em alto-mar, não sou a imagem no ar Eu pulso, salto, quebro a bolha de olhar pra olhar Enquanto você arquiva um instante congelado Eu sou o abraço, o grito, o corpo liberado! Sou raiz, não moldura! Chama, não pavio! A vida é agora, e eu tô no meio do furacônio! (Ah, ah, ah-ah-ah) Mergulho fundo, você só vê a aurora pelo filtro Eu sou o beijo de luz no pulso do universo vivo!