Nessa vida certas coisas Que só quem viveu compreende Tem coisas que não tem preço Não se compra e nem se vende Já errei muito nessa vida Mas errando é que se aprende Aprendi coisas de Campo Com gente que dele entende Meu Maestro o Capataz Minha caneta era as esporas O campo a sala de aula Pra estudar não tinha hora Aprendi a ginetear Sem fresquear e fazer demora E aprendi as manhas dos potros Galopeando campo à fora Curar bicheira de umbigo Ou de algum que se cortou Parar rodeio no grito Campear outro que ficou Pealo de a pé e a cavalo Sempre muito me agradou Foi com essas Coisas de Campo Que o tempo me falquejou Lonquear e estaquear um couro Pra com corda se lidar Destreza, mão calejada Pra algum arame espichar São coisas como outras tantas Que começaram a escaciar Coisas de campo, eu vejo Que assim vão se terminar Meu Deus não me amadrinha Mas só me faz um costado Pra que essas Coisas de Campo E as tradições deste estado Não se acabem num estante E fiquem só no passado Restando só em algum livro Ou num retrato emoldurado Curar bicheira de umbigo Ou de algum que se cortou Parar rodeio no grito Campear outro que ficou Pealo de a pé e a cavalo Sempre muito me agradou Foi com essas coisas de campo Que o tempo me falquejou