Eu já sentei em mesas cheias onde o riso não dizia nada Copos brindam mentiras velhas e a verdade dorme calada Palavras soltas, caras vazias, promessas feitas por costume Gente fria vestindo alegria como quem mente por ciúme Eu tentei caber nos seus moldes, mas minha alma rasgou o papel Não suporto o gosto doce de um inferno pintado de céu Por isso ando sozinho Não é solidão, é escolha Prefiro o peso do silêncio à falsidade que me acolha Por isso ando sozinho com meus demônios de mão dada Enquanto o mundo brinca de ser feliz, eu encaro a estrada Eles falam alto sobre nada, vivem presos em conversas rasas Chamam medo de esperança e chamam jaula de casa Eu não sigo seus padrões, nem ajoelho para aceitação Não nasci para colecionar aplausos, nem para viver de aprovação Minha fé não pede palco, meu progresso não faz barulho Enquanto eles correm em círculos, eu aprendo a andar no escuro Por isso ando sozinho, não carrego máscaras no rosto Minha paz custa caro e eu pago esse preço com gosto Por isso ando sozinho com o peito aberto e a mente afiada Enquanto o mundo brinca de ser feliz, eu sigo em silêncio na estrada Se a evolução exige distância, então que fique o vazio Melhor ser estranho à manada do que escravo do mesmo rio Não me entenda mal, eu sinto, mas não finjo para pertencer Há mais verdade em um homem só do que mil fingindo viver Por isso ando sozinho com cicatrizes como sinal Não busco lugar em mesas que negociam o que é real Por isso ando sozinho, sem plateia, sem perdão Enquanto todos brincam de ser felizes, eu construo minha direção Oh, se um dia me vê distante, não é fuga, é visão Em guerras que se vencem caminhando em solidão