Levanto antes da aurora Mate amargo Fogo e chão Cheiro de gado na estrada Poeira grudando na mão No arreio vão minhas mágoas No alforje um pão e um olhar Daqui vejo o outro lado Mas o pago insiste em chamar Sou da fronteira afora Onde o vento canta em espanhol Onde o rio risca o mapa E o cavalo entende o Sol Sou da querência dividida Só na linha do papel Porque no fundo desta vida É tudo o mesmo céu Rancho de tábua e esperança Galpão de conversa e facão Grito um che pro vizinho Ele responde em outro tom Sou da fronteira afora Onde o vento canta em espanhol Onde o rio risca o mapa E o cavalo entende o Sol Sou da querência dividida Só na linha do papel Porque no fundo desta vida É tudo o mesmo céu Se cruzo o passo do rio Levo comigo o meu lugar Canto milonga baixinho Pra saudade não me laçar Sou da fronteira afora Onde o vento canta em espanhol Onde o rio risca o mapa E o cavalo entende o Sol Sou da querência dividida Só na linha do papel Porque no fundo desta vida É tudo o mesmo céu