A luz do abajur desenha sombras no papel Tô aqui no quarto cento e dez desse hotel Santa Cruz! O relógio lá na torre parece não girar O pensamento nela aqui ainda insiste em ficar As quatro da manhã e o peito em convulsão Sentado nessa cama, abraço a solidão Olhando para as chaves jogadas sobre a mesa Sou refém do desejo e da minha incerteza O asfalto me chama, é o meu único juiz E eu Tentando consertar o próprio destino que fiz Ligo o motor, sinto o ronco da partida Sou um bicho acuado na estrada da vida O farol rasga o breu, a saudade me acelera O coração pergunta: Vale a pena essa espera? Mas as mãos no volante já não ouvem a razão Sou apenas o rastro triste da minha própria obsessão É um vício maduro, um feitiço latente Um mel que embola e que queima a gente É debaixo da pele que o veneno se espalha Um amor que acerta, mesmo quando a gente falha É um vício maduro, um feitiço latente Um mel que embola e que queima a gente É debaixo da pele que o veneno se espalha Um amor que acerta, mesmo quando a gente falha