A estátua chora na praça vazia Venda nos olhos, mas a mão escolhia O peso não é igual na balança Pra uns o rigor, pra outros a bonança Toga preta, consciência manchada Lei pra nada, verdade rasgada Palácios altos, vozes surdas O povo grita, sentenças mudas Quem vigia os que dizem vigiar? Quem julga o juiz quando ele erra ao julgar? Justiça cega e seletiva? Constituição ferida, ainda respira Ministros blindados acima da lei Calam o povo, coroam o rei Rasgam a carta, chamam de ordem Arbitrariedade vira norte Se a toga trai o chão da nação Quem devolve a lei à mão do cidadão? Caneta pesa mais que o voto Silêncio imposto em nome do todo Liberdade vira crime opinado Pensar diferente é réu condenado Decidem tudo atrás de cortinas Verdades camufladas, mentiras expostas A lei que era escudo do povo Vira arma de um jogo sujo Justiça cega e seletiva? Constituição ferida, ainda respira Ministros blindados acima da lei Calam o povo, coroam o rei Rasgam a carta, chamam de ordem Arbitrariedade vira norte Se a toga trai o chão da nação Quem devolve a lei à mão do cidadão? Não é ataque à justiça É um grito por ela Não é ódio à lei É amor ao povo Que a justiça tire a venda do medo E pese a lei para todos os lados Porque quando a toga perde o pudor O silêncio vira cúmplice da dor Justiça cega e seletiva? Constituição ferida, ainda respira Ministros blindados acima da lei Calam o povo, coroam o rei Rasgam a carta, chamam de ordem Arbitrariedade vira norte Se a toga trai o chão da nação Quem devolve a lei à mão do cidadão?