Quando a onda se levanta pra rugir contra a pedra Ninguém pergunta quem tá ali tentando só sobreviver É força contra força, é batalha que não cessa E no meio desse embate tem alguém prestes a perder Eu vejo o drama escondido na espuma A vida simples levada pela bruma Na briga entre o mar e o rochedo, quem sofre é o marisco Quem carga o peso é sempre o mais fraco, é sempre o arriscado risco Os gigantes se enfrentam sem nunca pagar o preço Mas o pequeno, esmagado, é quem sente o tropeço No canto do litoral ou no canto da cidade É sempre o trabalhador que enfrenta a tempestade O rochedo vem com regras, o mar vem com ambição E o marisco, calado, vira vítima do empurrão E eu vejo o drama escondido na maré Gente invisível lutando pra ficar de pé Na briga entre o mar e o rochedo, quem sofre é o marisco Quem paga o dano é quem nunca pediu por isso Os grandes se debatem e chamam isso de poder Mas o pequeno é que acaba sem ter onde se esconder E se um dia o marisco erguer sua voz? E se a maré virar a favor de nós? Talvez o mar entenda, talvez a rocha sinta Que o mundo só se sustenta quando o menor não se extinta Na briga entre o mar e o rochedo, quem sofre é o marisco Quem paga o dano é quem nunca pediu por isso Os grandes se debatem e chamam isso de poder Mas o pequeno é que acaba sem ter onde se esconder Na briga entre o mar e o rochedo, que o marisco resista Que sua força silenciosa vire um canto de conquista Que os grandes aprendam tarde ou cedo Que ninguém vence em paz ferindo o pequeno