Abro o diário, mas nada me olha de volta Silêncio pousado no fio da minha mão Um mundo inteiro escondido na porta Que range baixinho dentro do meu coração E cada linha que eu não escrevo Fala mais alto do que eu sou capaz É o medo antigo do que é novo É o novo pedindo paz Páginas em branco, por que me encaram assim? Como se esperassem algo que eu nunca dei de mim Mas eu respiro fundo, risco o primeiro traço E o diário entende: É no vazio que eu me refaço Guardo segredos que ainda não têm palavras Sonhos que tremem na beira de se revelar Mas quando a tinta escorre, suave e clara Vejo que a história quer, enfim, começar Tudo o que eu temo vira coragem Quando a primeira frase se deixa escrever A página branca é só viagem Pra quem ainda quer se perder Páginas em branco, por que me encaram assim? Como se esperassem algo que eu nunca dei de mim Mas eu respiro fundo, risco o primeiro traço E o diário entende: É no vazio que eu me refaço Se a noite pesa, eu deixo pesar Se o mundo cala, eu deixo calar Porque no espaço entre o nada e o começo É que eu descubro quem eu posso ser Páginas em branco, por que me encaram assim? Como se esperassem algo que eu nunca dei de mim Mas eu respiro fundo, risco o primeiro traço E o diário entende: É no vazio que eu me refaço Páginas em branco, agora sorriem pra mim Sabem que a história vive onde a coragem enfim Desperta no peito, rompe qualquer cansaço E o diário entende: É no vazio que eu renasço