Café quente, canto rouco Vidro embaçado, tempo curto Sussurro de portas, passos secos Tênis tortos, tapete torto Cadeira range, rádio falha Risos contidos, janela fecha Vento miúdo, cortina dança Vizinhos mudos, alma cansada Treze pisos, olhos fechados Rua riscada, silêncio dobrado Luzes piscam, dúvidas giram No compasso do coração Treze andares de solidão Nosso som ecoa pelo chão Tudo que se sente ali A alma cai, alma cai Treze andares de solidão No apartamento chove então Tudo que se ouve aqui A alma cai, alma cai Lai-lai-lai-lai–ah, ah, ah Lai-lai-lai–lalárá Lençol lavado, vida grossa Rugas velhas, brisa torta Tarde arrasta, riso falta Criança chora, cão que late Verbo preso, roupa pendura Beijo escapado, noite escura Meia luz, papo vazio No fundo, falta um pouco Chama? Quase Sente? Parte Fica Corre Olhos fechados No limite do acorde Treze andares de solidão Nosso som ecoa pelo chão Tudo que se sente ali A alma cai, alma cai Lai-lai-lai-lai–ah, ah, ah Laiá, laiá, laiá